O risco invisível no caixa das empresas de OPME:

quando vender mais significa ganhar menos

No imaginário de muitos gestores, crescimento de vendas é sinônimo de sucesso.
Mais procedimentos, mais materiais fornecidos, mais faturamento.

Mas, no ecossistema da saúde suplementar brasileira, especialmente no segmento de Órteses, Próteses e Materiais Especiais (OPME), essa lógica nem sempre se sustenta.

Em muitos casos, vender mais pode significar fragilizar o caixa, ampliar riscos financeiros e comprometer a sustentabilidade da operação.

O problema não está na operação em si — está no modelo invisível de financiamento que se forma ao longo da cadeia.


O paradoxo do crescimento no mercado de OPME

Distribuidores de OPME ocupam uma posição sensível no sistema de saúde:

  • antecipam materiais de alto valor
  • financiam procedimentos cirúrgicos
  • assumem riscos operacionais significativos
  • dependem de fluxos de pagamento longos e incertos

Na prática, isso cria um paradoxo perigoso:

Quanto mais a empresa cresce, mais capital próprio ela imobiliza — sem garantia de retorno no prazo esperado.

Eduardo Moura – Contador

O faturamento sobe.
O volume de operações aumenta.
Mas o caixa começa a apertar.


Onde o dinheiro se perde (sem aparecer no DRE)

O risco não costuma estar em um único ponto, mas na soma de fatores silenciosos:

  • prazos extensos de recebimento
  • glosas e revisões constantes
  • atrasos recorrentes por parte das operadoras
  • dependência excessiva de poucos pagadores
  • custos financeiros absorvidos pela operação
  • ausência de gestão ativa de recebíveis

Esses elementos não aparecem de forma clara no faturamento, mas impactam diretamente o capital de giro.

https://www.gov.br/ans/pt-br/acesso-a-informacao/transparencia-e-prestacao-de-contas/Cadeia_de_Valor.jpg

O resultado é um cenário em que a empresa cresce em volume, mas perde eficiência financeira.


A falsa sensação de segurança

Muitos distribuidores só percebem a gravidade da situação quando:

  • o caixa deixa de acompanhar a operação
  • o crédito começa a encarecer ou secar
  • a capacidade de financiar novos procedimentos diminui
  • decisões estratégicas passam a ser guiadas por urgência, não por planejamento

Até esse ponto, o crescimento mascarou o risco.

O problema não é vender.
É vender sem controle sobre o ciclo financeiro.


O financiamento oculto da saúde suplementar

Na prática, parte relevante do sistema de saúde funciona com base em um financiamento implícito feito por fornecedores.

Distribuidores de OPME acabam absorvendo:

  • riscos de crédito
  • atrasos sistêmicos
  • ineficiências operacionais das operadoras

Esse modelo não foi desenhado para o distribuidor, mas recai sobre ele.

Sem gestão estruturada, esse financiamento invisível:

  • corrói margens
  • compromete o crescimento saudável
  • transforma expansão em vulnerabilidade

O papel estratégico da gestão de recebíveis

Nesse contexto, a cobrança deixa de ser uma atividade reativa e passa a ser uma ferramenta de proteção financeira.

Gestão de recebíveis eficiente envolve:

  • análise contínua do perfil de pagamento das operadoras
  • priorização estratégica de cobranças
  • atuação preventiva antes do vencimento crítico
  • redução de exposição financeira desnecessária
  • organização de fluxos, prazos e riscos

Não se trata de “cobrar mais”, mas de cobrar melhor — com método, previsibilidade e inteligência financeira.


Por que muitas empresas percebem tarde demais

O risco invisível raramente explode de uma vez.
Ele se acumula.

Enquanto a operação cresce, a empresa:

  • normaliza atrasos
  • aceita prazos cada vez maiores
  • confunde faturamento com saúde financeira
  • posterga decisões estruturais

Quando o alerta chega, o espaço de manobra já é menor.


Uma mudança de mentalidade necessária

No mercado de OPME, crescer sem controle financeiro não é estratégia — é exposição.

Empresas sustentáveis entendem que:

  • faturamento não é caixa
  • volume não é margem
  • crescimento precisa ser acompanhado de proteção financeira
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A profissionalização da gestão de recebíveis não é um custo adicional, mas um elemento central da estratégia de sobrevivência e consolidação no setor.


Considerações finais

O cenário da saúde suplementar continuará complexo, pressionado e assimétrico.

Nesse ambiente, distribuidores de OPME que enxergam o risco invisível e atuam de forma proativa têm mais chances de:

  • preservar liquidez
  • tomar decisões estratégicas com clareza
  • crescer com sustentabilidade
  • atravessar ciclos adversos com solidez

Vender mais só é vantagem quando receber bem é prioridade.


Sobre a Saves Saúde

A Saves Saúde atua ao lado de distribuidores de OPME na gestão estratégica de recebíveis e proteção do fluxo de caixa, com abordagem técnica, ética e alinhada à realidade do setor.

Em um sistema complexo, sobreviver exige método, leitura de cenário e ação consciente.

Então pode contar com a gente!

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